quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Fontes e inspirações





No editor do blog ou na barra de ferramentas do word, lá está a fonte, com opção de escolha, em seus variados modelos, alguns mais despojados, outros clássicos, outros extremamente contemporâneos, e outros tantos quase ininteligíveis de tão ousados. Fontes e mais fontes...



Da fonte letra, penso nas fontes que jorram água, inevitável não me remeter ao Chafariz da praça de minha  infância, onde segurada por meus pais molhava os pés na, para mim, mágica fonte das nereidas...


num tempo em que mal conhecia as letras, e pouco sabia de fontes de inspiração, menos ainda a respeito das nereidas, embora meus sonhos fossem embalados pelas histórias mitológicas de minha irmã mais velha. Jamais imaginaria que elas, as nereidas da fonte, também estavam nos gigantescos e fantásticos livros de minha mamana. Devo ter dormido no dia em que ela contou o mito destas ninfas do mar, das águas, de poderes encantadores, dominadoras de corações, não sabia que as moças belas representadas na fonte em geral tem cabelos longos e tal como sereias tem metade do corpo em formato de peixe... 

Depois desta fonte veio a do calçadão, marcar encontro com as amigas era sempre na boca da galeria, mas quando havia a ingênua malícia dos poéticos primeiros amores, o encontro era marcado no chafariz das Três Meninas. 

Não vou negar que era belo ver a fonte de inspiração da época comodamente me esperando diante da fonte, escondido por detrás de seus lindos olhos azuis que por sua vez escondiam-se por detrás do gigantesco ray ban espelhado, tão desejado por todos...
O ray ban, os olhos e o bonitão...
Uma verdadeira  fonte de inpiração e perdição diria eu olhando através de meu olhar atual, romanticamente safado.
Naquele tempo não pensava assim, embora me achasse  romântica,  o ostentava como quem porta sempre consigo um troféu...  Mas não deixava de  jogar moedas a fonte das três meninas, como quem faz sua fé na loteria ou no jogo do bicho. Dentro dos pedidos de então, a fonte das três meninas, cabiam os sonhos de felicidade pequeno burguesa como: casar, ter filhos de olhos bonitos, uma casa bonita, uma cozinheira, e também os sonhos alienados de ser uma modelo, atriz global ou coisa do tipo...já que não existiam os realitys shows...
Lembro que em meu íntimo pedia secretamente, ( a uma das três meninas, da fonte que era mais minha amiga) para ter na vida sempre um doce um amor, como os doces da cidade...com olhos inspiradores  a me desejar... Até eu me surpreendo com esta doce criatura que habitava então em meu ser, um dia usarei ela como fonte de inspiração de algum mergulho ou voltarei a mergulhar nela para me reencontrar.

Tão diversa quanto os infinitos eus que cabem em mim (ou naquilo de que chamo carinhosamente de essência) são os formatos de fontes presentes na barra de ferramentas, sempre que mergulho em algum devaneio de letras e palavras madrugada a dentro, ao me deparar com elas é como se tivesse um menu de olhares, um menu de fontes de inspiração. E sempre tento enxergar as fontes (letras) como pessoas, e as fontes ( de inspiração- Pessoas) como letras.

Os olhos estão para as fontes de inspiração como as letras estão para as fontes da barra de ferramentas.

Sempre tenho uma fonte preferida para cada momento. Uma fonte letra!!!

Quanto a fonte de inspiração acabo sempre por repeti-la exaustivamente até o cansaço, até a desilusão! E ainda desiludida sigo a usá-la mesmo que sem autorização. Por sorte a nova lei do direito autoral não tem a capacidade de rastrear a fonte, digo de inspiração.

Voltando a barra de ferramentas...
amo, acho que por profissão,  a comic sans... ela é vivaz!!!

Quando quero passar invisível e ser séria, comum
vou com a cotidiana calibri ou times new roman.

Como há também um ser  volúvel que habita em mim, ( talvez tenha sido o fato de molhar os pés na fonte das nereidas quando criança que fez ela se instalar em meu ser) não resisto ao mergulho no olhar, fonte brodway, sei que é um mergulho que tanto pode ser fugaz,
como uma produçao mal sucedida ou,
como pode ser um espetáculo que fica anos a fio em cartaz...
as fontes de inspiração são assim, tem umas que estão sempre em cartaz, as vezes saem de cena por um tempo , mas como cats ou os miseráveis sempre acabam de volta no neon, no outdoor...

Quando quero ser impactante utilizo para detalhes a letra forte,
gosto de coisas fortes

tinto seco,
whisky sem gelo
emoções fortes,
abraço forte...
olhar penetrante...
além da fonte, da alma...palavras assim também...
coragem

mas não resisto aos
textos casuais
  ao olhar  da fonte (de inspiração)corrier news,
um tanto jornalistico,
aberta
clássica e despojada na mesma dose...
e assim sendo nutro um amor platônico desde sempre pelos olhares inspiradores,
olhares corrier news... que mesmo de soslaio
ou num breve olhar,
mesmo em poucas palavras,possuem a dádiva do poder de síntese
sabem ser impactantes, sem extender-se
e divinos sem ser lacônicos
inteligente e  presente, ainda que em pequenas doses..tem a capacidade de preencher cada espaço de meu pensamento...



Poderia ficar aqui madrugadas infinitas mergulhando
nas fontes da barra de ferramentas...
nas fontes de inspiração
e sei que se pudesse mergulharia agora numa destas fontes de minha infância,
(bem acompanhada) como o faz a Anita Ekberg, no filme La dolce vita...na fontana de trevi... 

ou mergulharia num dos infinitos olhares de quem faz minhas palavras inundarem a tela do computador
seja em madrugadas

insônes e frias,
ou
sonolentas e quentes...

mergulho
no
, misterioso olhar de jabuticaba,

ou no vivaz cacoete involuntario,

carente olhar caído,
como olhos de cachorro sem dono...

não importa o formato ou a cor...
olhos que fazem vibrar a alma são, segundo o meu olhar miope,
necessários a uma boa fonte de inspiração...

olhos vampirescos,
olhos estonteantes...


Não existe mergulho sem fonte...
não há fonte sem olhar,
sem brilho,

 inspiração

seja esta provinda  da convidativa água da fonte de minha infância

ou

da cor encantadora
estonteante

que faz música descompassada dentro do lado
esquerdo de meu peito

que transforma meus míopes
e secretos sonhos
em
estrela
a luzir
de esperança

estrondo  no vazio de meu silêncio poético

patético

Sem uma fonte de inspiração vibrante
uma boa dose de vertigem,
pitadas de perturbação

  a palavra
o gesto
tudo torna-se banal...
quase arial...

e para mim este mergulho não serve
se penso
se escrevo
se falo
se vivo
se crio
se desejo

não é por que quero ser apenas uma pessoa 'legal'

quero o mergulho
transcedental...



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(Não me leve a mal...Fui!
Hora de mergulhar nos sonhos
com aquele frescor mágico dos creme dental )




sexta-feira, 29 de julho de 2011

Todo mergulho é possível



Do vazio ao superficial
tudo é mergulho
e ainda que nada seja
nada pareça 
ainda que profundo não almeje ser

Sempre será insano
imprevisível
genial
Basta que seja mergulho

Da sinceridade a fantasia
em tudo
com alma inteira se pode mergulhar
dos sonhos as certezas
do medo a alegria


seja nos beijos molhados
nos papéis rasgados
ou em meio a cabelos
selvagemente desajeitados
em doces ou em perturbadas palavras

o amor em tudo cabe
e nele todo mergulho é possível



quarta-feira, 29 de junho de 2011

No Vazio

No silêncio deste vazio inesperado
                       em meio a noite fria
                           
VAZIO
de novo
mais uma vez

                                me permito enlouquecer
minhas mais doces e selvagens idéias
                                               meu singelo temer
                                   
                                                   e enquanto temo
tremo
                                          aprofundo-me na voz do que fala mais alto ao surto surdo do meu  coração                  

mergulho deliciosamente descompassado


(Tudo diferente) 

                                                        neste nada que já não sinto
                   por mais que seja nada  agora 
                       ah
                            breve instante
                                    (GIGANTE)
 não vejo o que queria ver 
  não escuto a quem queria escutar 
tudo 
apenas breve instante

NADA
 aquele pó 
na estante

E para chegar ao TUDO que tanto quero para sair deste NADA 
                                                                                                             NADA a fazer
                                                                                            paciência 
                                                                        espera 
se voltar a superfície nada será como sempre foi


                                                 Ainda que não seja tudo que espero
ou esperava
                                                                      meu mergulho já foi
                                                                   sim
                                                     além de mim


O medo: vazio 
medo de nada ser
de novo 

não vai me entender
não vão me crer

                                                                                                     medo 
                                                                                                          só mais um brinquedo 
                                                                                                                          novo e inusitado
PAUSA

mergulho outra vez
e assim
de novo em mim
já não o era
sou muito mais

                                                                         QUASE
                                                                              que fiquei sabendo
(acho)
                                                                                                        o que sempre quis
                                                                                     e quase mergulhei
                                                     onde ainda não tinha chegado
                                    mas para variar fiquei no quase
e agora no vazio
                           acho que já foi
                                           e que de fato fui

                                                                             maaaaaaaaaaaaas se fui
                                                                                                              não sou
                                                                                                                e se não sou
                                                                                                                           ainda não foi
só sendo se é
só mergulhando
encontra-se a arca do tesouro afundado


                                                               


                                  MEDO
de novo 
e mais 
                  uma vez
e outras tantas
                      não quero
ficar só na esperança do 
era uma vez



medo inesperado

agora vou perder?
agora vou ganhar?
já levei?
me levaste ...!

como se mergulhar fosse uma partida onde não se pode deixar cair a bola no chão

já não quero mergulhos quadrados
                                                    emoldurados
                                 quero mergulhos
                                                    de pele
                                                          perfume e
                                                                           alma inteira
mergulho no nada
para encontrar
o tudo
que há no nada
de mim e de tudo
de tudo e de nada
                                                                           mergulhos inusitados
                                                                                                                    nada a desejar
nada a esperar
só  a espera
de estar
assim no vazio
do mergulhar
e quando eu voltar
se voltar

nada ser
serei tudo  o que jamais acreditei ser possível sonhar

e do outro lado disto tudo
                                   tudo preenchido
                                             por este nada
                                                           o que não sei
                                                                          mas que sonho ... e será!


este vazio
que não tem palavras para se descrever
                                                                         depois do nada sempre vem um tudo

mergulho certo
SIM
sem pensar
por que pensar?
                      quem pensa
                                    perde tempo de amar
de viver
de saber
que o vazio 
é bem mais cheio

                                                                                                            que tudo que já é e já foi

viver ultrapassa tudo o que somos
                                                                            meu mundo pelo nada sei de mim mesma
                                                                                                                    para que pensar




se estou no vazio 
                              só me resta mergulhar





terça-feira, 31 de maio de 2011

Mergulho de expectativas


Hoje não queria o mar da página branca e vazia para mergulhar
Queria apenas um céu azul para voar, flutuar e assim deixar-me por inteiro colorir.

Hoje, gostaria de trocar o medo inevitável do novo
pela segurança de minha calada insensatez.

Sair da palavra, passar a voz.
Sair das expectativas, mergulhar na realidade.
Fosse a realidade azul como o céu que pinto em minhas torpes idéias
ou obscura como o oceano de minhas esperanças.

Hoje queria ter coragem de abandonar as fontes de inspiração que já não servem mais nos meus sonhos.
Sem dor ou desassossego. 
Deixar que se fossem na corrente,
levadas pelas ondas de razão e de emoção do seu oceano de delícias.

Com um sorriso no canto dos lábios
contemplar
 apenas 
o barulho tranqüilo e vivo, do mar de meus desejos,
o borbulhar da espuma de minhas mais autênticas e secretas aspirações. 

Hoje queria ser o ego em pessoa
afagado e enfeitado
ao invés de
louca inspirada
ser a
 alucinada
                             inspiração...


Deixa estar o dia deste mergulho há de chegar...

sábado, 30 de abril de 2011

Mil coisas


Mil...Mil...Mil coisas
E eu não sei
E sei
E acho que não sei

Do que vale saber
E nada sentir
Do que vale viver
E não testar, errar
Cair, levantar...e cair novamente

E assim
E sempre inteira aos pedaços
Dentro e fora de mim
Moisaco de lindos ladrilhos
E nada e tudo
Sempre tudo
Quase nada
E não dá nem para entender
O que é
O que vai
O que foi
O que será

E o coração
E as flores no caminho
E eu, e tu e nós e os outros e ninguém
Se me perdesse de verdade
Talvez me encontrasse
E me encontrando
Me perderia de ti
E de todos

Para me reencontrar
Novamente
Mil...Mil...Mil...coisas

Rio de Janeiro, 19 de Março de 2009











quinta-feira, 24 de março de 2011

A Sorte é um mergulho


Eu precisava de um mergulho daqueles
para resfrescar as idéias
não um mergulho insano
mas
um
mergulho
apetitoso

sem fingimentos
sem vacilos

um mergulho
de
sorte

quando cheguei a dar espaço 
para o que não pode ter espaço
chegava a crer que a sorte não existia 

E 
ela bate a minha porta

não com cara de sorte
Mas como sorte
de carne
osso 
e pecado

Humana como Deus grego

mergulhar na sorte que não se crê 
que não se espera
não é  jogada fácil

Na sorte não há espaço para os blefes


E como saber se ela 
é a nossa sorte 
se nela não mergulharmos?

refugar a sorte?
pode ser pecado

mas e se a sorte tiver cara 
de pecado 
não será certo 
refugá-la 
e até esquecê-la?

se for sorte
não cai no esquecimento
por que sorte que é sorte 
é como esperança 
a última a morrer


 paradoxalmente 
sorte 
dá falta de ar 
ao 
mesmo tempo
que te ensina 
 por mais tempo
aguentar

sorte 
é mergulho 
disto não se pode duvidar

e eu estou com sorte 
não vou negar

sorte daquelas
que se põe no meio do caminho a bailar


domingo, 23 de janeiro de 2011

Dose amarga



Há léguas de distância do último solstício de verão
que aconteceu a menos de um mês...
e deixou a sensação de jamais ter acontecido

Deserto

 cicatrizes
imperceptíveis
nas vagas idéias
de meus insanos mergulhos...

Me guardei tão bem
que quando me encontrei estava trancafiada
no fundo de uma arca perdida
 num oceano que desconheço

junto a mim
apenas
a idiota
sensatez
de quem um dia
achou
ser insensata

 lá esquecida
me esqueci
do que mesmo
?

a lua cheia

 eu transbordante
sem ter assim para quem transbordar
por que transbordar?
para que se derramar
se não haverá quem venha
me juntar

me suspendo
e ao suspender
pensamentos e sentimentos

me arrebento

......

e até a madrugada demora a chegar
custa a passar
 nela
ainda que em oníricos sonhos
de lua clara na janela
a bailar
ou em pesadelos arrebatadores
me reencontro
no palco
de ácidas  palavras
que criei
como quem faz
um castelo de cartas
para morar

labirinto

me perco
como tantas vezes já o fiz
e assim perdida
busco o gps de mim
mesma

Por mais que soubesse
o caminho a tomar
de nada adiantaria
não tenho o poder de guiar
esta nave desgovernada
de meus torpes sentimentos



Lêdo engano
querer se enganar
buscar se encontrar

Não há porta de saída
não há luz no fim do túnel

apenas
algumas nuances
pinceladas
cor de sol
de entardecer de um solstício
no trapo que resta de mim mesma

e tudo
me atormenta
batucada
descompassada
de meus vulgares
sentimentos

e sem ensaio
o samba
enredo
me confunde
por cima

da avenida de nome coração
impiedoso
passa
estonteante

Eu sou
real
mesmo
nada tendo de nobre
 e por ser
assim
acabo
por não caber

na fantasia
de ninguém
não sirvo
para santa
nem princesa
não sirvo
nem para
vilã
nem mocinha
cai no papel
errado
queria
a protagonista
e conduzi
e me tornei a melhor amiga

Ando na
contramão
sem me mover

tomei o rumo errado
Sem nada tomar

melhor seria
tomar veneno

não alcanço o volante
e como Alice
gigante
meus pés
não conseguem pisar
nos pedais


curvas
e mais curvas
nas emoções de mim mesma
e dos outros

Não arriscar-se
não vale
a pena


e assim observando tudo
vejo que não sou nada
 percebo que
neste torto mergulho
no tudo
jamais
caberei
na poesia de ninguém




Eu não valho nada!!
apenas o valor de uma engrenagem...
Um filtro de ar talvez...
sujo de tanta poeira das duras estradas que enfrentei
tendo ficado
 eu não valho
sequer a força da lâmina de
um bisturi enferrujado

eu não valho um trecho de música romântica brega...

ou por que sou demais
ou por que não consigo ser

e neste nada
é inevitável
não desejar dissecar
a mim mesma

Eu não tenho densidade
suficiente
para emocionar


sou um mergulho numa piscina vazia
de ilusões

Como posso ter o brilho das flores
se sou  como o mais reles capim seco?

Sem flecha de cupido
paramaltratar
sem dentes de vampiro
para me arrematar

Eu não sirvo para fertilizar
nem a mais torpe imaginação

Sou um grito agudo
calado
na madrugada
dos sonhos
que abandonei


eu não sou nada
mas nesta certeza
é que sei
que mesmo
em pedaços

sou e sempre serei

tudo
mesmo que
meu tudo
seja

apenas
este nada
este amontoado
de palavras
este amargor
que não podia
destilar

sou
assim
visceral
entorpecida
por natureza
carente de alma inteira

e desculpe se errei
na dose