terça-feira, 31 de maio de 2011

Mergulho de expectativas


Hoje não queria o mar da página branca e vazia para mergulhar
Queria apenas um céu azul para voar, flutuar e assim deixar-me por inteiro colorir.

Hoje, gostaria de trocar o medo inevitável do novo
pela segurança de minha calada insensatez.

Sair da palavra, passar a voz.
Sair das expectativas, mergulhar na realidade.
Fosse a realidade azul como o céu que pinto em minhas torpes idéias
ou obscura como o oceano de minhas esperanças.

Hoje queria ter coragem de abandonar as fontes de inspiração que já não servem mais nos meus sonhos.
Sem dor ou desassossego. 
Deixar que se fossem na corrente,
levadas pelas ondas de razão e de emoção do seu oceano de delícias.

Com um sorriso no canto dos lábios
contemplar
 apenas 
o barulho tranqüilo e vivo, do mar de meus desejos,
o borbulhar da espuma de minhas mais autênticas e secretas aspirações. 

Hoje queria ser o ego em pessoa
afagado e enfeitado
ao invés de
louca inspirada
ser a
 alucinada
                             inspiração...


Deixa estar o dia deste mergulho há de chegar...

sábado, 30 de abril de 2011

Mil coisas


Mil...Mil...Mil coisas
E eu não sei
E sei
E acho que não sei

Do que vale saber
E nada sentir
Do que vale viver
E não testar, errar
Cair, levantar...e cair novamente

E assim
E sempre inteira aos pedaços
Dentro e fora de mim
Moisaco de lindos ladrilhos
E nada e tudo
Sempre tudo
Quase nada
E não dá nem para entender
O que é
O que vai
O que foi
O que será

E o coração
E as flores no caminho
E eu, e tu e nós e os outros e ninguém
Se me perdesse de verdade
Talvez me encontrasse
E me encontrando
Me perderia de ti
E de todos

Para me reencontrar
Novamente
Mil...Mil...Mil...coisas

Rio de Janeiro, 19 de Março de 2009











quinta-feira, 24 de março de 2011

A Sorte é um mergulho


Eu precisava de um mergulho daqueles
para resfrescar as idéias
não um mergulho insano
mas
um
mergulho
apetitoso

sem fingimentos
sem vacilos

um mergulho
de
sorte

quando cheguei a dar espaço 
para o que não pode ter espaço
chegava a crer que a sorte não existia 

ela bate a minha porta

não com cara de sorte
Mas como sorte
de carne
osso 
e pecado

Humana como Deus grego

mergulhar na sorte que não se crê 
que não se espera
não é  jogada fácil

Na sorte não há espaço para os blefes


E como saber se ela 
é a nossa sorte 
se nela não mergulharmos?

refugar a sorte?
pode ser pecado

mas e se a sorte tiver cara 
de pecado 
não será certo 
refugá-la 
e até esquecê-la?

se for sorte
não cai no esquecimento
por que sorte que é sorte 
é como esperança 
a última a morrer


 paradoxalmente 
sorte 
dá falta de ar 
ao 
mesmo tempo
que te ensina 
 por mais tempo
aguentar

sorte 
é mergulho 
disto não se pode duvidar

e eu estou com sorte 
não vou negar

sorte daquelas
que se põe no meio do caminho a bailar


domingo, 23 de janeiro de 2011

Dose amarga



Há léguas de distância do último solstício de verão
que aconteceu a menos de um mês...
e deixou a sensação de jamais ter acontecido

Deserto

 cicatrizes
imperceptíveis
nas vagas idéias
de meus insanos mergulhos...

Me guardei tão bem
que quando me encontrei estava trancafiada
no fundo de uma arca perdida
 num oceano que desconheço

junto a mim
apenas
a idiota
sensatez
de quem um dia
achou
ser insensata

 lá esquecida
me esqueci
do que mesmo
?

a lua cheia

 eu transbordante
sem ter assim para quem transbordar
por que transbordar?
para que se derramar
se não haverá quem venha
me juntar

me suspendo
e ao suspender
pensamentos e sentimentos

me arrebento

......

e até a madrugada demora a chegar
custa a passar
 nela
ainda que em oníricos sonhos
de lua clara na janela
a bailar
ou em pesadelos arrebatadores
me reencontro
no palco
de ácidas  palavras
que criei
como quem faz
um castelo de cartas
para morar

labirinto

me perco
como tantas vezes já o fiz
e assim perdida
busco o gps de mim
mesma

Por mais que soubesse
o caminho a tomar
de nada adiantaria
não tenho o poder de guiar
esta nave desgovernada
de meus torpes sentimentos



Lêdo engano
querer se enganar
buscar se encontrar

Não há porta de saída
não há luz no fim do túnel

apenas
algumas nuances
pinceladas
cor de sol
de entardecer de um solstício
no trapo que resta de mim mesma

e tudo
me atormenta
batucada
descompassada
de meus vulgares
sentimentos

e sem ensaio
o samba
enredo
me confunde
por cima

da avenida de nome coração
impiedoso
passa
estonteante

Eu sou
real
mesmo
nada tendo de nobre
 e por ser
assim
acabo
por não caber

na fantasia
de ninguém
não sirvo
para santa
nem princesa
não sirvo
nem para
vilã
nem mocinha
cai no papel
errado
queria
a protagonista
e conduzi
e me tornei a melhor amiga

Ando na
contramão
sem me mover

tomei o rumo errado
Sem nada tomar

melhor seria
tomar veneno

não alcanço o volante
e como Alice
gigante
meus pés
não conseguem pisar
nos pedais


curvas
e mais curvas
nas emoções de mim mesma
e dos outros

Não arriscar-se
não vale
a pena


e assim observando tudo
vejo que não sou nada
 percebo que
neste torto mergulho
no tudo
jamais
caberei
na poesia de ninguém




Eu não valho nada!!
apenas o valor de uma engrenagem...
Um filtro de ar talvez...
sujo de tanta poeira das duras estradas que enfrentei
tendo ficado
 eu não valho
sequer a força da lâmina de
um bisturi enferrujado

eu não valho um trecho de música romântica brega...

ou por que sou demais
ou por que não consigo ser

e neste nada
é inevitável
não desejar dissecar
a mim mesma

Eu não tenho densidade
suficiente
para emocionar


sou um mergulho numa piscina vazia
de ilusões

Como posso ter o brilho das flores
se sou  como o mais reles capim seco?

Sem flecha de cupido
paramaltratar
sem dentes de vampiro
para me arrematar

Eu não sirvo para fertilizar
nem a mais torpe imaginação

Sou um grito agudo
calado
na madrugada
dos sonhos
que abandonei


eu não sou nada
mas nesta certeza
é que sei
que mesmo
em pedaços

sou e sempre serei

tudo
mesmo que
meu tudo
seja

apenas
este nada
este amontoado
de palavras
este amargor
que não podia
destilar

sou
assim
visceral
entorpecida
por natureza
carente de alma inteira

e desculpe se errei
na dose

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Solstício de verão



Mergulho de alma nua
Num céu de uma cor que não posso definir
não era laranja, vermelho nem rosa
era quase um mar coral

Um coqueiro solitário
a bailar na montanha
por detrás do riso solto
e das lágrimas contidas
e do que não sei como explicar

 Meu secreto esconderijo
Relicário
entre o nada
e lugar nenhum
  E  as palavras
a parecer pequenas
diante de cada  gesto sutil

Surgiu  assim
como jamais vi
na tela do cinema
nos sonhos
ou na televisão
Pôs de imediato
a bailar minha razão
justo no dia mais
longo do ano

Indescifrável

num ritmo sereno
suave compasso
fez o entardecer
parecer  incoerente
tridimensionalizou meu olhar
e o seu
e tudo o mais

 lógico
exato
insensato

Assim como eu
e assim como tudo
que há fora e dentro de mim
 O nada suspenso
 no solstício
de profundidade efêmera
cores só nossas
telas
desenhos
e fotografias
imagens 
de memórias
de momentos
pincelada de sonhos
sensação de pirueta
lugar incomum
Um cavalo branco
olhares infinitos
a se perder
 através
 da minha janela
lua cheia
overdose de emoções
tocando alma
eclipse lunar

coração suspenso
 esquecer a razão
tantas coisas
oníricas sim
e sem explicação
no dia do solstício de verão






segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Ao meu jeito


O que dizer quando nada mais pode ser dito.
Um olhar basta para entender, aquilo que não tem compreensão nem nunca terá

Por que calar
quando há todo um mundo para questionar?

Por que ser igual
quando há todo um universo de possibilidades
de ser, o que por instante não somos,
e que verdadeiramente queremos ser?

Depois:  negação.

"Não, não é para mim!"

"Não, não é assim!"

NÃO PODE SER

E pronto...não será!

Crer que tudo sei
que sempre soube
e sempre saberei

E a máxima
de que de verdade nada sei
e jamais saberei
caberá apenas  a mim

Ninguém tem a capacidade de dizer até onde pode ir a sua capacidade

Um milionésio de instantes
um piscar de olhos
 a possibilidade de ser

o que poderia ser e não ser
o diferente
o novo
e tudo
que há
 que sempre fui

 não aceitei
 não deixei...

e depois...

ah tem sempre um antes
 e um depois
e um talvez
e se...
se...
se...

SE...

O 'SE' é uma bosta!

Uma inconsequente besteira que algum infeliz um dia criou para atrapalhar
a felicidade alheia...

...depois?


NADA
nada vezes nada

Refletir...

é

de repente

tudo poderia ser diferente

Mas não é

E a todo instante tem a verdadeira capacidade
de ser diferente
totalmente distinto daquilo que não se é
e a todo instante se mostra para os outros


não é para mim
não
não
não
não
não

não é assim

Se cabe a dúvida


ih


se vestiu a carapuça
se serviu

pronto

E ficou bonita ?
Não!

Não precisa me dizer
não combina com a cor dos meus olhos
 com o meu jeito de ser
de viver
de andar

se cabe
assim assim

"Como uma luva"

Já é
Já foi

é o quero
é o que sei
 é este o jeito
a forma que desejo me mostrar
ou me esconder
ou fugir
ou saltar
ou criar ou imaginar

( Falta de ar)

ao meu jeito
sem peias
meias
pessoas...
alheias

não vão me dizer
o que posso ser
só se eu me permitir

ser EU
eu
eu

ao meu jeito...

se errar

erro do meu jeito

e se acertar
foi ao meu jeito que me permiti
ser diferente
crescer
mais e mais
intensamente


verdadeiramente FELIZ...

ou pelo menos meio assim

assim

assim


só não vai vestir a carapuça errada só para agradar...

quem quer que você seja o que não
sinceramente

não é digno de agrado

e lá vou eu
vestir a carapuça dos meus sonhos


e se virar SACI

saio pulando de sonho em sonho
numa perna só
e chego antes

do fim...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Microondas de mim mesma

Estava tudo certo...
as coisas já encaixotadas.
louças embrulhadas.

Dentro das malas apenas as coisas mais queridas...
Tudo superfluamente indispensável.
Decisões tomadas
vida planejada

e os dias seguintes planejados minuciosamente
(como se a vida fosse o microondas)

num estalar de dedos
um vento soprou na porta
tão forte que arrebentou a fechadura

um furacão momentâneo
carregou a TV da década de 90
as malas

o roteador

meu modem

a caixinha em que havia organizado e reorganizado  minuciosamente na véspera
aqueles desesperadores fios que seguem insistindo em amarrar nossas tecnológicas vidas

sigo com os dedos
os anéis todos ficaram

mas minhas orelhas agora estão desnudas
como se o que falassem a alma
me pusesse agora surda

já não sei mais onde foi parar meu plano de vôo
ao ventar o plano A
oxidou a faísca do plano B
já não sei onde está mais nada

cadê o microondas de mim mesma?
o controle remoto que me faz mover?
 o roteador que sintoniza minha idéias

mergulho de novo no vazio
no nada sei de mim mesma
nada vejo

por mais que se saiba para a direção que se vai
a vida em alguma esquina
 tende a se apresentar
como um mergulho no nada sei

um universo paralelo que se abre
aos pés

que infiltra as idéias

turva as águas do límpido mergulho

 oxigênio?
pouco
as vezes
inusitada apnéia
nadar no nada
para não  me perder no nada são
das divagações

 o nada  perceber
como um ingênuo novo tudo

ao redor
inesperados e despreparados
mergulhos

técnica
 e
equipamento
indispensáveis

( ESTE MÖDULO DO CURSO VIDA AINDA NÃO FOI MONTADO
verifique seu cadastro ou atualize o micro das curtas ondas de seus atordoados
e insanos desejos)
se não conseguir
volte ao início do menú



que  técnica  aplicar
no meio
deste nada?

nada
além de nada

DECIDI: desprogramar

que toque o pagode
não vou resistir

"deixa a vida me levar"

se der pé eu paro de nadar

e se não der pé vou  cansar

ou
boiando no mar
curtir o céu

mergulhos no nada sei
transferidos
mergulhos do tudo sei
desprogramados
desconfigurados
desatualizados

esquina da vida
  esquina da casa
em que não sei se moro
me DEmoro

lá vem o elemento surpresa
ah tudo bem

troco o longo, ropical e paradisíaco mergulho
pelo básico mergulho de butiquim


pois mesmo que nada saiba
sem mergulho não dá para
ficar

tô indo
preciso
mergulhar