sexta-feira, 23 de março de 2012

Mergulho no que não é... mergulho no que não foi...


De tantos mergulhos,
 seja na utopia de mim mesma e das coisas que sempre desejei ou
 nas expectativas não alcançadas... 
um mergulho tem me feito inúmeras vezes estar em estado de apnéia...
como se a falta do ar fosse um estado de graça...
como se o frustar-se fosse algo com sabor de dulce de leche uruguayo,
com a doçura do açucar brasileiro...
ou ainda fosse aquela suntuosidade dos sorvetes italianos...

Mas infelizmente não, 
a apnéia de que falo é no mergulho desencatado
onde a utopia vira hábito de desgosto,  
pedaço de desilusão ...

Faz-se crucial pensar no infinito...
no infinito que existe em todo amor
 até mesmo no amor dos que pensam que não existe amor,
 que não são
 que não foram...

em tudo há um clic...
as vezes uma palavra ...
um milionésimo de instante 
um segundo 
e eis que as coisas invertem
mudam a direção
o sonho vira pesadelo
 o amor ódio ... 

(eu tenho tido dificuldade de odiar ... não sei se por mergulhar na evolução ou pela ausência de algo que me faz atípica diante de um mundo que confunde o humano com falta de valores... acho as vezes que o que nao é o que nao foi seja uma esquizofrenia minha...porque eu podi me vingar ...e faria isto indecentemente bem ...mas ...e aí?) 

neste ponto
não adinta forçar o que nao foi 
o que já não é
pois tudo pode sempre piorar
no mergulho do que não foi...
as coisas que eram belas ganham uma dimensão monstruosas... 
o príncipe vira um chato
 a mocinha uma menina má...
a comunicação fica comprometida...

e mesmo que os corações tenham amado 
enlouquecidamente 
devotadamente 
trocado  as mais 
belas
  poéticas 
apaixonantes
juras de amor

mesmo que os corações orgulhosamente ainda se amem ...
o entendimento 

não é possível...

é como tentar recuperar o bolo abatumado ...
não há volta!!! 
depois que o vento o solou...
nem deus desce na terra e o transforma...

agora 
se deus tem a capacidade de fazer deste mergulho do que não foi 
ser além do que se pode ser
do que se sonha ser
do que sonhamos realizar

algo vai acontecer

( e eu voltarei aqui daqui um tempo num mergulho em que direi que nao sei mergulhar em deus ...
e que não permito ...e que penso demais e blá blá blá... e que estava errada no dia que duvidei de deus intervir no bolo abatumado de nossas humanas relações de nossos tortos amores)

de fato o que não é ...
talvez
 nunca tenha sido ...
tenha se perdido 
antes de ter se achado...
e o pior , 
só se acha quem já se perdeu ...
só se perde o que se tem seguro nas mãos...

(e não me venham com aquela palhaçada de que se fossse meu não tinha partido ... 
não não é nada disso ...)

o que faz que as coisas não sejam é a falta de  força e coragem para insistir
 insistir
 no humano, 
na diferença...
insistir 
no que se quer 
mas 
dá um certo trabalho
 toda diferença cabe no mergulho de descoberta deste novo..
na diferença aqueles que amam mergulham de alma inteira nos defeitos do outro
sem cobranças ou fugas...

(mas é fácil falar ...quando não se teve a capacidade de um mergulho  na integra)

onde se vai até a falta de ar ...
até o que nao pode ser ...
na apnéia da questao...

(eu nao sei mergulhar pela metade...embora tema a falta de ar...meus mergulhos sao de alma...mas eu tenho que sentir a alma do outro vibrando em mim como  uma cancao boa daquelas em que nao se cansa de ouvir 1, 10, 100, 1000 vezes ...)

nao há virtude em dizer que ama
 e nao querer bater os braços para nadar um pouco 
se correnteza esta forte...
nadar ... 
é um nada
 que mostra como queremos entender o tudo do outro ...

(eu sempre vou amar, sempre vou mergulhar, sempre vou ser eu em essencia...e o dia que minha alma nao estiver presente nas coisas que vivo faço digo ou escrevo melhor nao ser eu desistir do mergulho
ficar na superficie de mim mesma...no nada dos habitos bestas do cotidiano...)

mais nada
tudo 

um mergulho no que não é
um mergulho no que não foi

e agora
o que será?


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http://www.youtube.com/watch?v=lO8KC63t_b8



_______

domingo, 4 de março de 2012

Piacere sono l’ utopia



Oggi avevo voglia di svegliarmi con le speranze rinovatte di chi sveglia in un nuovo anno
Però un altra volta niente

Nulla
e
Tutto

e
Le cose già non sono

Recentemente ho pensato  che l ‘amore non sia per me
L' ilusione e l' utopie si
Ma l’amore
non

La vivono per non fermare di andare
Per non cessare il mio tuffo
Per colorare il mare del mio orgoglio

Però si l ‘amore non è una cosa per me
Cosa sarà allora?
Niente?
Tutto?

I soldi
non è stato per me
Anche la maternità
non fu fatta per me...

e cosi ...
cosa è ?
cosa sarà?
Niente di niente
???

La mia arte?
basterà?
Niente in più?

Le cose facile ho mai voluto!
Velocemente, neanche il nome mio sembra facile
Di dire
Di potersi  capire

Giorni hanno
dove
 ritengo
che anche
la vita non è  facile
neanche mai sara

per me non è la paura
Neanche il coraggio

Per me tutto non è
E davvero
Quello che sembrava tantìssime cose
(Quasi tutto)

mi ha già fatto credere
Per un attimo
Che non può  
Essere
Per me

( illusa !
L'ùnica cosa che ti rimanga è la  vuota realtà .
Il niente  che c’è in ogni giorni
E che insiste di restare
In tutto)

 Niente
Tutto
Due cose
La stessa cosa
tra il pezzo di qualcosa
sulla stradda
in mezzo
solo
io
me
e
per me
niente

...

Cosa potrà esistere lì?
Credo che il mio peccato
Sia stato
nel
tutto
che
 senza sapere
porto con me
e
senza volere
sembrare così
chiara
trasparente
e
rischiarsi
 da sempre
a sembrare
oscena
a gli  altri


 non sono santa
neanche puttana

non sono nulla
e inseguirei
così

niente in me
da sempre
è um verò casino
traboccante
sbagliato
apassionato
è tutto

tutto quello che non ho la vera capacità d’essere
e
quello che succede da sempre:
è stato
nulla

e  non lascia spazio per diventare quello che davvero sono

questo tuffo mio è um proiettile vagante
in mezzo alla nebbia di me stessa

e io non trovo l’obiettivo  dentro
 neanche  fuori di me

meglio sparare in ària
scoppiare
tuffare in questo abissi di certezze
d’ essere in corsa tra le barriere stradali della vita
per fermare  nelle l’incertezze
meglio sarebbe non esistere
non desiderare più

Io non volevo
Molto
Davvero quello che volevo era quase niente

La speranza
Di pazzamente
Amarti
( semplice così )

E in me
per um attimo
Farti
 Trovarsi
 come mai
( e reciprocamente essere trovata e amata pazzamente per te)

Il tutto
che
 c’è 
in
questo
tutto
è
solo
 niente di niente

ma
questo tutto

crede
che
Io e te
Potessi
Diventare
semplicimente

NOI

Però  
sono nulla
E nulla sarò
E così
Da sempre
Nulla saremmo

Mi sono persa

Nel tutto che ancora resta di me
nel vuoto
che esistono 
in quello che sono

si  avessi  forze
gridava solo per te
venire da me

vieni
a
prendere cura
di me

e come la gente com famme che  andano nella metro
ti pregherei

“aiuto, aiuto ...per favore aiuto signore”

vedì
questa sono io ora

in pezzi

ma sono anche
quello
pezzo troppo bello 
che rivelassi
in me
quindi
solo um pezzo in più

per me  ancora
sei tutto
e io il tutto che sono diventata per te
la
purezza
piena di colori
chiara
cristallina
illuminata
fantastica

A.D.O.R.A.B.I.L.E.

e
superlativa
in tutti gli effetti

Il vuoto che va da me 
Vuole diventare
Più
che
tutto
in
Te

Però
Temo che tutto
Quello che sono
Finisce
Per
Trasformarsi
In
Nulla

Nei confronti
con quello
che
sei

perchè tu sei più di me


non sono
non sei
e quiza
niente saremmo
e
ora
tuffo
um altra volta
e nuoto
in questo oceano
a
cercare
Il pezzo
Del’orizzonte
Che voglio qualche giorni trovare

Questo
Tutto
gigantesco
Cielo
Mio
Che
In me
Sei
...


(Stella
cometta
Tuo safe harbor
È il vuoto
Di questo blu
Che non sei più capace di vedere)

Ostinatamente
Insisto
raggiungere

A nuoto
Vuota
Um altra volta
.
.
.
Tuffo
.
.
.
In questo
Letto di rose
In questo mare
Dei
Sogni  semplice
Che vanno
In  me stessa
...
Tutto
Inseguirà

Niente
per
 un
altra  volta
comincierà

vuota

nuota

stia sicura
arriverà
il giorno
dove
avrai
la
Capacità
di
tutto
Raggiungere
...
E la tua fortuna verrà

Tutto
Niente
Siamo
solo
L ‘utopia

Lo sapevi già?


















segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Meu nome é UTOPIA




Hoje queria ter acordado com as esperanças renovadas de quem acorda no ano novo...
mas de novo...
nada...
tudo 
já não é

tenho pensado ultimamente que  o amor não é para mim 
as ilusões e utopias sim

e vivo-as para não parar de andar
para não cessar meu mergulho
para colorir o mar
de meu orgulho

mas se o amor não é para mim 
o que será então?
nada?
tudo?

o dinheiro 
não tem sido para mim

 a maternidade também não é
não foi 
para mim

e assim
o é ???
Nada é?

Minha arte...
só?


nunca quis as coisas fáceis
nem meu nome é fácil e rápido 
de se entender

e tem dias que acho que a vida não é fácil também 
nem será


o medo não é para mim
mas a coragem tão pouco

tudo não é para mim
e o que achava já ser tanto
quase tudo

por instantes me leva a crer 
que também não pode 
ser para mim

(iludida
a única coisa que te resta é a realidade 
vazia 
do nada do cotidiano
que insiste em estar 
em tudo)



se nada
nem tudo 
nem o meio termo 
o meio do caminho
é para mim
...

o que pode ser?

peco 
por ser 
verdadeiramente
tudo 
que levo em mim

e ser assim
tão clara 
tão transparente 

é arriscar-se 
a ser vista 
como indecente

Não sou 
santa nem puta

não sou nada 
e seguirei 
sendo nada

e o nada em mim
é sempre 
um tudo revirado
transbordante 
equivocado 
apaixonado

tudo
tudo é só o que eu não posso ser

nada é o que 
tem sido
e o que não me deixa ser além do que sou

meu mergulho é uma bala perdida 
no nevoeiro de mim mesma

e eu não encontro o alvo dentro nem fora de mim

melhor seria dar um tiro para o alto

mergulhar no abismo das certezas
do que correr nesta estrada acidentada 
de incertezas
melhor seria não ser
melhor seria
nada querer

eu não queria 
muito
era quase nada o queria
a esperança 
de 
loucamente
te
amar

de em mim por instantes
te fazer
encontrar

 o tudo deste nada
acredita
que 
eu e tu
pudesse
ser
apenas

nós

mas nada sou 
e nada serei
e assim
nada seremos

sigo aqui

perdida

no que resta
no tudo deste nada
que eu sou 
e seguirei sendo

se tivesse forças eu 
gritava
só para ti
vir aqui me socorrer

cuidar 
do pedaço bonito
que desvendasse
em meu ser


meu tudo 


 pureza 
colorida 
clara 
cristalina 
iluminada
fantástica
adorável

e
superlativa
em todos
os efeitos

meu nada 
quer ser
mais
do
que
tudo
em ti

mas 
temo que tudo
que sou
acabe de transformar-se 
em 
nada
diante 
de teu 
ser


Não sou 
não és 
e quizá
nada seremos

e mergulho
de novo
a nado 
pelo oceano
a
procura
do pedaço 
de horizonte
que quero um dia encontrar

este
tudo
meu 
 céu 
gigante 
que 
em mim 
és 

...

e
eu
estrela
errante
...

teu porto seguro
é o nada
deste 
tudo azul
que já não vejo

e  teimosamente
vou insistir em
alcançar

a nado
de novo
mergulho
no
do mar de rosas
dos
singelos sonhos
de mim mesma

...

E
tudo
segue sendo
nada

para
de
novo
recomeçar

NADA
um dia
o tudo
hás
de
alcançar
...

...














sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Abandono



Uma voz no meu ouvido
Palavras que não lembro ao certo
abandono
corpo
alma
e razão
e mergulho
no nada sei
que aceitei...

MEDO


eu que sempre tenho sido
a certinha
a boa filha
a aluna exemplar
a atriz disciplinada
eu que tenho escrito sem erros de português
eu que tenho organizado
até meus sonhos em caixinhas
que tenho separado o lixo
que tenho reciclado
papel
eu


eu que sempre tenho sido
a heroína corajosa 
da história sem fim
de mim mesma
onde o mocinho não chega nunca para me salvar

eu
abandonei
a coragem
o medo
e me entreguei
as sensações

mas depois
o vazio
a distância

fazia tempo
que não me sentia
assim
nua
crua
na plenitude de mim
na solidão quieta
de meu mundo
que não é só meu


um abraço faria tão bem

Que
abandono
que sensação
Serei louca?
Não
não é isso
Você não me entendeu!

Minha loucura
é outra
bem outra
é de vida que
eu falo
despreendimento
seu moço

ei
ei você!
ei seu moço

Será que mergulhamos juntos e você não me entendeu?

ei você aí
eu não sou louca viu

quer dizer
sou sim!

mas não esta espécie de louca
que você está pensando

eeeeeeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
ei seu moço
acabo de mergulhar
e depois do mergulho
não há mais volta

eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
estou vendo
ainda
seus gestos


eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
estou aqui
sonhando
que era sonho

eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
já decorei o seu olhar
cada expressão

temendo o fim
decorei tudo
com medo
que sonhos
virem pesadelos

meu olhar decorou o seu

EI SEU MOÇO
NAO QUERO DESISTIR
EM MEIO AO MEU E  AO SEU MERGULHO
DEU PARA ENTEDER
OK???????????????????

NÃO SÃO AS AVENTURAS QUE ME MOVEM SÃO OS SONHOS
E O DESEJO DE TRANSFORMÁ-LOS EM REALIDADE

e
eu
 estou
tentando
só para você
ser eu
sem medo
dos outros

e de seus juízos
e de seus cuidados
e de seus ciúmes

Não me abandone assim
em meio a este caos
DE MIM MESMA
o perigo é bem outro
não sou eu

eu vejo no fundo do seus
olhos

o tamanho de sua carência
o medo de aceitar sua  loucura


abra seu mar de sonhos
(só para mim)
para que também eu possa
mergulhar em ti
IN-FI-NI-TA-MEN-TE
FAN-TAS-TI-CA-MEN-TE
deixe de lado
suas exigências
para apenas viver
o que eu sei
vai ser bom
sem fim

não finja
que não quer
que tudo
é só uma brincadeira
passageira

por que não
é
não diga
que o amor
e tudo mais
precisa também ser agendado
anotado
para não ser esquecido

não tente adiar
seu desejo
no abandono de seu sonho
de sua vontade

assim no meio do mergulho maravilhoso

eu
você
e outras coisas


eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
seu moço
abandone sua superficialidade
você não é só esta máquina
que pensa ser


eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
moço bonito

ei você
me escuta!

Estás me ouvindo
estás me entendendo?
estou gritando para você
acordar

eu já mergulhei
não tem volta
mas pode ter
mas vai
doer
doer
doer

apnéia
falta de ar

e se doer em mim
doerá também em você
e eu não quero te ver sofrer
que sofra eu
como sempre sofri
como já me acostumei

ouve o que eu li na sua alma
no fundo do mergulho que dei
nos seus profundos
olhos brilhantes

eu vi
não fuja
não adie
não tema
não corra
não morra
em si
admita de uma vez
não se engane

pode sim acontecer
também com você
não tema

seu olhar
já me disse
a paixão de seu mergulho
não é só carnal
o brilho do seu olhar
não é apenas casual

e você é muito mais
do que acostumou-se a ser
abandone-se também

mergulhe
e veja
que também sua loucura
não é tão má assim

e como eu...

ah seu moço
(bonito)
se permita abandonar

mergulhe
sem fim(não tema)em mim

pois
eu acabo de me abandonar
em você


Não sou louca
sou só despreendida

 abandonada

assim

acabo de me despreender
e me grudar
ainda mais em você

basta agora você perceber...





sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Me escuta

Ouve meu grito
Ele é um canto a ti
Canta comigo
E silencia

Depois 
calmamente
Mergulha
Teus olhos
Nos meus
E deixa
Minhas insanas
Mudas palavras
Jorrarem
Neste breve longo
Esperar
Sente apenas 
a quietude
Do nada
Que tudo nos
Permite ser

Canta
Quieto
Mudo


Ao olhares assim para mim
De nada mais meu ser precisa

Tudo que aqui grita
Junto a ti serena

Nesta tua quietude
Há um nada
Que em tudo ressoa
Vai e vem 
e gira

Neste vácuo
Esperas
Espero

Desvenda minha canção
Esvazia
Minha razão

Em paz
Silencia

Ouve meu grito
Ele é um canto
Do meu corpo a ti
..............................................
.................................................................

sábado, 17 de setembro de 2011

Sobre amizade, veneno e saudade...



Há um ano de distância de um dos dias mais difíceis até então em minha vida, me permito refletir sobre o amor... Não falo aqui do amor carnal ou transcedental entre dois amantes nem mesmo do amor que as mães nutrem por seu filhos... falo de um amor que vai além disto... E peço que não se ofendam com minha comparação ... estou falando do amor a meu melhor amigo de quatro patas... Um amor travado de olhar a olhar, de coração a coração...
Um amor fofo e peludo que há um ano atrás saiu de cena deste mundo e foi morar no canto mais bonito de meu coração. Onde tenho uma gigantesca duna de fofas areias brancas. E volta e meia, sem vergonha alguma rolamos horas a fio nela. Esteja ela iluminada pelo dourado do pôr do sol de minhas alegrias, ou pelo brilho prateado e azulado da lua cheia de minhas angústias. Lá vivemos sempre serenos, e alegres...e nosso sono é tranquilo... E não importa se faz frio ou calor, se chove ou se faz sol... Quando nos cansamos de brincar, eu sigo a repetir o gesto de comando, avisando que basta, é hora de entrar, hora de acomodar-se na caminha de nome coração, onde me permito guardá-lo confortavelmente, como ele tantas vezes guardou meu portão. E não pensem que é fácil, ele segue a resistir, vira-se de barriga e com sua pata gorda e peluda faz um gesto que segue a carimbar meu ego, acariciar minha alma. Só então em seu rebolado é que recolhe-se.
Eu permito –me conter o rio que quer a todo custo rebentar através de meus olhos e sendo assim me permito pensar nas coisas que aprendi com ele. E humildemente a pedir-lhe perdão por meus humanos erros, e pelas duas vezes que brigamos.
Uma foi no dia que ele fez xixi no pé de minha escrivaninha e que eu (dês) humanamente o xinguei. E ele tremendo me disse, com seus olhos de bola de gude, que eu estava exagerando... Afinal a humana nesta história era eu. A outra foi pelas vezes frustradas que tentei lhe colocar coleira e guia...
E ele a pulos de pipoca, resistiu bravamente, ficando dois dias sem me dirigir a palavra de seu olhar e a fugir de mim pelos cantos, até que num misto de rosnado e choro me falou...

“Olha, eu ando comportado ao seu lado ou no seu colo e respondo a todos os seus comandos. Sempre deixo você me pentear, mas não vou ser um cachorrinho feito estes de madame que anda de coleirinha pela cidade.”

Ok ! Aceitei sua solicitação. E desisti da idéia de lhe colocar guia e sempre ele se portou muito bem . Exceto a vez que se pôs a latir incessante para a foto de um cara numa propaganda de telefonia...

“Poxa o cara é feio demais..., como é que vocês suportam andar pela cidade e ver este tipo de coisa?”
Ele tinha razão...

“Ah Gordo, o mundo é assim, isto chama-se poluição visual ...”

“Mas o mundo não precisa ser feio assim ...”

Ele tinha razão e sempre que lembro de seu latidos ou de sua resistência a guia, penso que devo resistir as amarras que este mundo a toda hora propõe. As amarras de uma sociedade que vive a pregar uma falsa moral e que quer sim a todo momento prender nos, encoleirar nos...
Quando me sinto sufocada é nele que penso...

“Nada de coleiras, Ok? Podemos andar lado a lado sem estarmos presos e amarrados...”

E vejo que isto é uma das coisas mais difíceis de entender, de se fazer pois nosso mundo é de limites, cercas, propriedades e tantos falsos valores em nome de uma efêmera segurança. Um mundo onde um cachorro precisa andar amarrado pela rua, mas que permite que os venenos das mais diversas espécies sejam vendidos nas prateleiras dos supermercados, como artigo crucial e necessário ao desenvolvimento e à resistência ao mundo animal no paraíso de nome civilização.
Onde latidos tornam-se incômodos, mas todo o tipo de lixo musical, com as mais torpes palavras , estupram diariamente nossos ouvidos sem o direito de fuga.
E pela lembrança de meu fofo anjo de 4 patas é que me permito deixar o grito que tenho trancado em minha garganta sair. Um grito contra toda forma de veneno. E agora não estou aqui falando dos venenos inseticidas, fertilizantes! Do veneno para matar capim, formiga barata, embora eles também caibam neste grito como num alerta. Falo antes de tudo do veneno do ser humano. O veneno de quem enche a boca para falar de respeito e de violência, e até do ato de um cachorro andar livre leve e solto e latir, mas não percebe o grito do animal diariamente em sua mesa. Que fala de paz, mas alimenta-se de um pedaço de morte.
Do veneno da inveja, do poder. Falo do veneno que cada vez faz com que mais pessoas almejem ser superiores...O veneno do ciúme, da mentira, do ódio, da ganância, da luxúria...E outros tantos que habitam nossos cotidianos sem nem ao menos nos darmos conta...
Só quando entendermos que não somos nada, e que é neste nada que somos que habita o tudo que precisamos nesta humana vida desumana é que vamos entender. Talvez no dia que tivermos palestras sobre “A doçura do ser humano” ao invés de palestras de Liderança e poder”.
Enquanto isto fico com a lembrança da audácia de meu gordo Gaspar que não hesitava em saltar em meu colo sem pedir licença, e acomodava-se de forma majestosa em minhas pernas como se eu fosse o trono de seu reinado. E o tenho em meus pensamentos como uma reserva, não ecológica, mas de sonhos. Que habita em meu íntimo, permitindo que eu resista a amargura cotidiana, e a ausência de poesia e atenção que sinto no desfile de vaidades de nossa realidade.
Não me permito esquecê-lo, assim como não me permito esquecer a tudo de belo que me faz vibrar a alma. E desejo sempre ser uma pessoa especial na vida daqueles que convivem comigo, como o foi meu peludo amigo em minha vida.
Para finalizar permito que saia de mim, através destas palavras, um uivo, um rosnado, um latido, um grito imensurável, como o tamanho de minha saudade, e com a força suficiente para enfrentar os inevitáveis venenos da vida.



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Leia também:


Efêmero Jardim de Sonhos



sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Mergulho no coração

O coração é algo estranho...vive no peito da gente mas não nos respeita...bate ao ritmo que quer, e vibra por conta própria... É surdo, mas o único que escuta claramente...paradoxal por natureza! Um amável teimoso, um companheiro tresloucado, desvairado e emotivo. Um orgão vital, e letal na mesma dose. É droga, drogado e alucinação. Parece tão gigante, afinal lá dentro cabe tanta gente, tanta coisa... que é inevitável crer em seu imensurável tamanho em suas infinitas medidas...Mais difícil ainda é crer que ele tenha o tamanho de um murro. E que em geral não se arrisca a bater, só a levar porrada!  É indignado, rebelde, faz o que está afim...indomável,selvagem! Quando pego de surpresa, não sabe reagir. E sempre chega o dia que este  latifundiário das emoções vitais é obrigado,  sem sequer perceber,  sucumbir a invasão... E dependendo do fascínio do invasor, dá-nos a sensação de ser minúsculo, microscópico até... E assim nele, nada mais parece caber!!!  O coração não é um orgão é uma instituição, e geralmente não aceita voluntários... Como bom egocêntrico (afinal é orgão vital) adora ser afagado...  É brega, vulnerável... estúpido...e sempre, para tudo: indispensável... Mesmo sem saber resolver sua constante e perturbadora batida, para todo problema que cria, sempre tem a solução! E se não tiver, há de criar um trono confortável  e, de bandeja,  vai entregar, assim para qualquer desconhecido a chave do cofre, a sala da administração.

O coração é palhaço e gargalhada... e diariamente eu grito para ele: 

'Hoje tem circo?'

E ele me responde: 

'Tem sim senhor!!!'

 o coração existe para nos atordoar e embalar...

E por mais habilidade que tenhamos, o show (dele) não temos a capacidade de parar...

É ele que decide, o momento de virar balão...e explodir sem q, por que ou razão!



Ah o coração...

é por saber que ele bate do lado esquerdo de meu peito que eu sei que estou viva,
e plena de emoção!


Luciáh Tavares

( se for copiar, compartilhar, tenha coração: não esqueça o nome da autora)